Eurobarómetro sobre “Atitudes dos cidadãos em relação à corrupção na UE em 2026”

A Comissão Europeia publicou os dados do Eurobarómetro sobre “Atitudes dos cidadãos em relação à corrupção na UE em 2026” – disponíveis em https://europa.eu/eurobarometer/surveys/detail/3693.

Os dados do Eurobarómetro resultam de um trabalho de campo que em Portugal decorreu entre 5 e 25 de fevereiro de 2026, com a realização de 1032 entrevistas cujas respostas transmitem, no essencial, as perceções dos entrevistados acerca de um conjunto de questões.

A principal conclusão é a de que os cidadãos europeus continuam cada vez mais preocupados em relação aos fenómenos corruptivos já que 71% consideram que a corrupção está generalizada, sendo que em Portugal esta percentagem é substancialmente superior, atingindo 94% (subindo 3% face ao ano anterior).

No entanto, 99% dos inquiridos em Portugal dizem não ter sido vítimas ou ter testemunhado algum caso de corrupção no último ano — contra uma média de 95% ao nível europeu — e 94% não conhecem pessoalmente alguém que tenha subornado ou sido subornado, face a 89% dos inquiridos na UE.

Particularmente relevantes são também os dados relativos a Portugal sobre as denúncias de corrupção, em que se verifica a convicção de que “a denúncia seria inútil porque os responsáveis não serão punidos” (44% em Portugal, contra 29% na média europeia), enquanto 29% afirmam que “não vale a pena o esforço” contra 18% na UE e 21% não sabem sequer a que entidade denunciar, dados em linha com os da UE. Contudo, não deixa de ser significativo, pela positiva, que sobre a não proteção dos denunciantes nos locais de trabalho Portugal supera largamente os resultados médios da UE que são de 31%, enquanto no nosso país o número é de apenas 17%.

Já sobre as entidades em quem os cidadãos mais confiam para denunciarem casos de corrupção, importa notar que, para além da prevalência da instituição policial (56%) e do sistema judicial (22%), a única entidade pública que em Portugal supera a percentagem de confiança em relação à média da UE é a “agência especializada de combate à corrupção”, neste caso o MENAC, com 22% em Portugal em relação à média de 20% na UE.

Para além da dinâmica de desenvolvimento da missão e atribuições do MENAC, este elaborou também o Relatório Anual Anticorrupção de 2025, entregue à Assembleia da República e ao Governo em abril de 2026 – que se encontra disponível em Relatório Anual Anticorrupção 2025 – Mecanismo Nacional Anticorrupção –, traçando pela primeira vez um desenho do sistema integrado de prevenção e combate à corrupção em Portugal, aí se incluindo também relevantes notas sobre oportunidades de melhoria e de atuação futura nestas áreas.

Neste relatório o MENAC frisou também, a propósito das temáticas das perceções, nomeadamente, que o facto de existirem casos com elevado impacto mediático, não deve conduzir a uma generalização que comprometa paradoxalmente a confiança nas instituições democráticas no seu conjunto e a sua legitimidade institucional. Por isso, sem prejuízo de uma atuação que resolva necessariamente constrangimentos e obstáculos que possam evidenciar-se – como os da morosidade de alguns processos –, deve existir clareza de entendimento acerca da ocorrência de casos pontuais, do funcionamento geral das instituições e da capacidade do sistema em geral para efetivamente investigar, julgar e punir – conhecimento para o que os dados do Relatório Anual Anticorrupção de 2025 pretendem desde logo contribuir (ver também as respetivas Perguntas-e-respostas-Relatorio-Anticorrupcao-2025.pdf).

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